A relação promíscua de Vorcaro do Banco Master também atinge a família Bolsonaro.
- REDAÇÃO

- há 5 horas
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Uma revelação bombástica envolvendo o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) e o banqueiro Daniel Vorcaro dono do Banco Master, provocou forte repercussão política e jurídica em Brasília e em todo o país nesta semana. Áudios, mensagens de WhatsApp e documentos obtidos inicialmente pelo site The Intercept Brasil e repercutidos por centenas de veículos de imprensa como O Antagonista, Jovem Pan, Veja, Globo, Terra e UOL apontam uma relação financeira direta entre integrantes da família Bolsonaro e o dono do Banco Master.
Segundo as reportagens, documentos indicam que pelo menos 10 milhões e 600 mil dólares — o equivalente a cerca de 61 milhões de reais — teriam sido transferidos entre fevereiro e maio de 2025 para financiar o filme “Dark Horse”, produção audiovisual ligada à trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Entre os materiais revelados está um áudio enviado por Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro. Em tom de intimidade, o senador cobra novos repasses para a continuidade do projeto. Na gravação, Flávio afirma que o filme atravessava um momento decisivo e que atrasos nos pagamentos estariam gerando preocupação entre os produtores envolvidos. Em mensagem Flávio escreve para Vorcaro: Irmão, estou e estarei contigo sempre.
As conversas também citam a participação do deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL) e do deputado federal Mario Frias (PL), ex-secretário de Cultura do governo Bolsonaro, como intermediadores das negociações com o banqueiro.
Carlos Bolsonaro (PL), pré-candidato a Senador em SC , parcicipou em etapas da produção cinematográfica. Imagens de bastidores mostram Carlos acompanhando pessoalmente parte das filmagens ao lado do ator hollywoodiano Jim Caviezel, escolhido para interpretar Jair Bolsonaro no longa. O envolvimento reforça a proximidade da família com o projeto audiovisual, tratado internamente como peça estratégica para fortalecer a imagem política do ex-presidente.
A notícia caiu como uma bomba no meio político, provocando reações tanto de lideranças da esquerda quanto da direita. O ex-governador de Minas Gerais e tambpem presidenciável Romeu Zema, do Partido Novo, classificou como “imperdoável” a relação entre a família Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Segundo Zema, “não adianta criticar o PT e utilizar das mesmas práticas que sempre foram condenadas”. Outros presidenciáveis também classificaram as denúncias como graves e defenderam o aprofundamento das investigações e o esclarecimento completo sobre a origem e o destino dos recursos envolvidos.
O caso ganhou ainda mais repercussão porque, anteriormente, Flávio Bolsonaro havia negado qualquer proximidade financeira ou política entre sua família e Daniel Vorcaro. Em entrevistas concedidas nos últimos meses, o senador classificou as suspeitas como “narrativa falsa” e chegou a afirmar que “essa conta do Banco Master está longe de chegar perto da direita”.
Após a divulgação das mensagens, porém, o discurso mudou. Flávio passou a admitir a existência da relação com Vorcaro e confirmou ter enviado o áudio solicitando novos recursos. Segundo o senador, os valores seriam destinados exclusivamente ao patrocínio do filme sobre o pai e não envolveriam qualquer irregularidade.
Outro ponto investigado envolve o advogado brasileiro radicado nos Estados Unidos, Paulo Calixto, apontado como elo entre Eduardo Bolsonaro e estruturas financeiras ligadas ao projeto audiovisual. Reportagem do jornal O Globo revelou que a Polícia Federal apura se parte dos recursos enviados por Vorcaro teria sido direcionada a um fundo registrado no Texas, nos Estados Unidos, que estaria vinculado à produção do filme e também à manutenção de atividades políticas de Eduardo Bolsonaro no exterior.
A defesa de Mario Frias confirmou os contatos com Vorcaro, mas afirmou que as conversas representavam apenas uma relação legítima entre produtores culturais e um possível patrocinador privado. Já os advogados de Daniel Vorcaro e Eduardo Bolsonaro não haviam se manifestado até a publicação das reportagens.
O caso amplia a pressão política sobre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e deve aprofundar investigações sobre financiamento privado de projetos ligados ao grupo político bolsonarista, especialmente em ano pré-eleitoral.








