Balneabilidade das praias de SC: pouco mais de 65% dos pontos estão próprios para banho no auge do verão
- REDAÇÃO

- 21 de jan.
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O mais recente relatório oficial de balneabilidade do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA), referente à semana de 12 e 13 de janeiro de 2026, revela um retrato misto da qualidade das águas no litoral catarinense em plena alta temporada. Dos 260 pontos monitorados em 28 municípios, 171 foram classificados como próprios para banho, o que representa 65,77% do total. Outros 89 pontos (34,23%) seguem impróprios, indicando que, apesar de um cenário majoritariamente favorável, ainda há trechos críticos em diversas cidades.
O levantamento faz parte do Relatório nº 10 da temporada 2025/2026 e segue os critérios da Resolução Conama nº 274/2000. As coletas são realizadas semanalmente desde o início de outubro e continuarão até o fim de março, período em que o fluxo de banhistas é mais intenso.
Destaques positivos e contrastes regionais
Entre os municípios com maior número de pontos próprios, Balneário Camboriú aparece em situação confortável: praticamente toda a orla central está liberada, com exceção do Pontal Norte. Praias tradicionais como Taquaras, Estaleiro, Estaleirinho e Laranjeiras seguem próprias para banho, reforçando a imagem da cidade como um dos destinos mais procurados do verão catarinense.
Itajaí também apresenta bom desempenho, com apenas um ponto impróprio na Praia Brava. Em Navegantes, todos os pontos monitorados foram considerados próprios, incluindo áreas próximas à foz do Rio Gravatá. Laguna, Imbituba e Garopaba mantêm maioria de trechos adequados, com restrições pontuais em lagoas ou áreas próximas a desembocaduras de rios.
Em Florianópolis, o cenário é mais complexo. A capital concentra tanto pontos de excelência quanto áreas críticas. Regiões como Jurerê, Daniela, Canasvieiras, Sambaqui, Santinho, Campeche (mar) e Barra da Lagoa seguem próprias para banho. Por outro lado, a Lagoa da Conceição registra vários pontos impróprios, assim como trechos da Beira-Mar Norte, Itaguaçu, José Mendes, Matadouro e partes da Praia dos Ingleses, sobretudo nas proximidades de rios e galerias pluviais.
Municípios com maior número de restrições
Algumas cidades chamam atenção pela concentração de pontos impróprios. Balneário Rincão, no Sul do Estado, tem a maior parte de sua orla interditada para banho, com vários trechos da praia principal e áreas próximas a arroios classificados como inadequados.
Em Bombinhas, um dos destinos mais famosos do litoral norte, diversos pontos permanecem impróprios, especialmente nas praias de Bombas, Bombinhas (centro), Zimbros e Canto Grande (mar de dentro). Em contrapartida, Quatro Ilhas, Mariscal, Morrinhos e trechos do Canto Grande (mar de fora) continuam próprios.
Penha também apresenta um quadro preocupante: praias como Alegre, Armação do Itapocorói e São Miguel seguem impróprias, enquanto apenas alguns trechos, como Praia Grande, Praia Vermelha e a Prainha da Penha, estão liberados.
São Francisco do Sul registra interdições na Praia da Enseada e na Praia dos Paulas, mas mantém condições favoráveis em Ubatuba, Itaguaçu e Capri. Já em Governador Celso Ramos, pontos impróprios se concentram em áreas urbanizadas, como Ganchos e parte da Praia de Palmas.
Oscilações semanais e influência das chuvas
O relatório aponta mudanças relevantes em relação à semana anterior. Trechos de Balneário Rincão, Bombinhas, Florianópolis, Imbituba, Joinville e Passo de Torres passaram de próprios para impróprios. Em sentido oposto, pontos de Balneário Camboriú, Bombinhas, Florianópolis, Itapema, Laguna e Porto Belo melhoraram de condição.
Segundo o IMA, essas oscilações estão fortemente associadas às chuvas de verão. O órgão reforça que não é recomendado o banho de mar nas primeiras 24 a 48 horas após chuvas intensas, especialmente perto de saídas de canais, rios e galerias pluviais, já que a enxurrada arrasta material contaminado para o mar.
Alerta para algas e cuidados com a saúde
Além da contaminação bacteriológica, o relatório chama atenção para a presença de florações de algas em alguns pontos do litoral. Mudança na cor da água, odor forte, aspecto turvo e acúmulo de material orgânico são sinais de alerta. Nesses casos, a recomendação é evitar o contato com a água e acionar a Vigilância Sanitária local.
Panorama geral
No balanço final, Santa Catarina mantém um índice razoável de balneabilidade em pleno verão, mas com desafios persistentes em áreas urbanizadas, lagoas e regiões próximas a rios. Florianópolis, apesar de ter maioria de pontos próprios, concentra boa parte das interdições do Estado. Municípios do Sul e do Norte catarinense também exigem atenção contínua do poder público, sobretudo em saneamento básico e drenagem pluvial.
Para moradores e turistas, a principal orientação é acompanhar os boletins semanais do IMA e respeitar a sinalização nas praias. Em um litoral extenso e diverso como o catarinense, a qualidade da água pode variar significativamente de um ponto a outro — e até de uma semana para outra.












