Brasil bate recorde de recuperações judiciais e acende alerta na economia
- REDAÇÃO

- 25 de mai.
- 2 min de leitura

O Brasil registrou um novo recorde de pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre de 2026. Segundo dados do Monitor RGF, foram 5.931 solicitações entre janeiro e março, o maior volume desde o início da série histórica, criada em 2023. O número reforça os sinais de fragilidade no ambiente econômico e empresarial do país.
O Monitor RGF acompanha em tempo quase real os pedidos feitos por empresas junto ao Judiciário, utilizando informações de tribunais e bases privadas. Para analistas, o resultado não é um episódio isolado, mas a continuidade de um processo de deterioração que já vinha se intensificando ao longo de 2025.
O cenário é agravado pelo alto índice de inadimplência empresarial. Dados da Serasa Experian mostram que o Brasil encerrou 2025 com cerca de 8,9 milhões de empresas inadimplentes. Muitas delas enfrentam dificuldades para acessar crédito, renegociar dívidas e manter as operações em funcionamento.
Especialistas apontam três fatores principais para o avanço das recuperações judiciais: os juros ainda elevados, que aumentam o custo do crédito; a desaceleração econômica prevista para 2026, reduzindo receitas das empresas; e as incertezas políticas e internacionais, que afetam investimentos e a confiança do mercado.
Os impactos já começam a ser sentidos em diversos setores. O aumento expressivo de pedidos pressiona o sistema judiciário, que precisa lidar com processos complexos de renegociação financeira. Além disso, fornecedores, trabalhadores e bancos também sofrem os reflexos das crises empresariais, com risco de atrasos, demissões e restrição de crédito.
No mercado financeiro, o recorde aumenta a percepção de risco e pode tornar os financiamentos ainda mais caros para empresas consideradas vulneráveis. Economistas avaliam que os próximos meses serão decisivos para entender se o país enfrenta apenas um ajuste momentâneo ou uma crise empresarial mais profunda.
O governo e instituições financeiras acompanham o cenário de perto. Entre as alternativas em discussão estão programas de crédito, medidas de renegociação de dívidas e reformas para reduzir custos operacionais e insegurança jurídica. Ainda assim, especialistas alertam que a instabilidade política e os efeitos do cenário internacional continuam sendo fatores de preocupação para a economia brasileira em 2026.








