Brasil perde R$ 2,2 bilhões por ano com fuga de talentos da tecnologia
- REDAÇÃO

- há 2 dias
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Estudo aponta saída de 12 mil profissionais por ano e acende alerta sobre o futuro da soberania digital do país
O Brasil está vendo uma parte importante do seu futuro embarcar para fora do país. Um estudo do Instituto Brasileiro de Soberania Digital, o IBSD, revela que o país perde, em média, 12 mil profissionais de tecnologia por ano para o exterior, o que representa um prejuízo estimado em R$ 2,2 bilhões anuais em capital humano.
O dado escancara um problema cada vez mais estratégico: a dificuldade do país em formar, reter e aproveitar talentos em um dos setores mais importantes da economia moderna.
Segundo o levantamento, cerca de 45% dos profissionais brasileiros da área de tecnologia acabam migrando para outros países, atraídos por salários mais competitivos, melhores oportunidades e maior inserção em empresas globais. O resultado é uma espécie de “exportação silenciosa” de inteligência, inovação e capacidade produtiva.
O estudo foi elaborado com base no Índice Global de Maturidade Digital, ferramenta desenvolvida pelo próprio IBSD para medir o nível de autonomia tecnológica de países, estados e cidades. No ranking, o Brasil aparece apenas na 42ª posição entre 100 países analisados — um sinal de que o país avança em digitalização, mas ainda enfrenta gargalos sérios em capital humano e competitividade.
Hoje, o Brasil conta com cerca de 12 profissionais de tecnologia para cada mil habitantes, um número considerado baixo quando comparado a economias altamente inovadoras. E isso pesa diretamente no crescimento do setor.
Ainda assim, o potencial brasileiro segue enorme. O estudo aponta que a economia digital já representa 9,8% do PIB nacional, embora ainda esteja distante de países como Cingapura e Reino Unido, onde esse percentual supera 18%.
Apesar do cenário preocupante, o levantamento reconhece que o Brasil já mostrou capacidade de inovar em escala global, com exemplos como o PIX e o Open Banking, considerados cases de sucesso em integração entre tecnologia, regulação e mercado.
A conclusão do estudo é clara: sem políticas públicas voltadas à formação, retenção de talentos e fortalecimento do ecossistema de inovação, o Brasil continuará perdendo cérebros — e competitividade — justamente no setor que mais define o futuro da economia mundial.








