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Setor cerâmico acende sinal de alerta em Santa Catarina diante de crise, custos altos e retração da construção civil

  • Foto do escritor: REDAÇÃO
    REDAÇÃO
  • 25 de mai.
  • 2 min de leitura

A indústria cerâmica de Santa Catarina enfrenta um dos momentos mais delicados dos últimos anos. Em meio à desaceleração da construção civil, perda do poder de compra da população, retração de investimentos e aumento dos custos de produção, empresas do setor começam a adotar medidas drásticas para tentar preservar operações e reduzir prejuízos.


O caso mais recente envolve a Dexco, que anunciou o fechamento de uma fábrica no estado dentro de um processo de reestruturação da divisão de revestimentos cerâmicos. Segundo a companhia, a medida busca melhorar a eficiência operacional, elevar a produtividade e garantir sustentabilidade financeira no longo prazo. O anúncio reforça o clima de preocupação em um dos segmentos industriais mais importantes da economia catarinense.


A crise também atinge a Portobello, maior fabricante de cerâmica da América Latina, sediada em Tijucas. A empresa encerrou 2025 com prejuízo de R$ 291 milhões, mesmo registrando receita líquida de R$ 2,6 bilhões. As dificuldades financeiras foram agravadas pelas enchentes que atingiram Santa Catarina no início do ano, além da elevação dos juros e do encarecimento do crédito. Na bolsa, as ações da companhia acumulam queda de 62% nos últimos 12 meses.


Em meio ao cenário de pressão financeira, trabalhadores da empresa rejeitaram a proposta de reajuste salarial de 4,11% apresentada para o acordo coletivo 2026/2027. O sindicato da categoria afirma que ainda existe espaço para novas negociações, mas o episódio evidencia o ambiente de tensão dentro do setor.


Outro fator que preocupa empresários e industriais é a ameaça de escassez de gás natural, um dos principais insumos da indústria cerâmica. A estatal boliviana YPFB projeta uma redução de 30% nas exportações de gás para o Brasil em 2026, reflexo da queda nas reservas do país vizinho. O problema pode elevar ainda mais os custos de produção e reduzir a competitividade da indústria brasileira.


Especialistas avaliam que o setor cerâmico vive uma combinação perigosa de fatores negativos: consumo enfraquecido, construção civil em ritmo mais lento, crédito caro, energia pressionada e margens cada vez menores. O resultado é um cenário de cautela máxima em Santa Catarina, estado que concentra alguns dos maiores polos ceramistas do país e que agora vê o sinal de alerta permanecer ligado sobre o futuro da atividade.



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