VIAMAR: a obra sem projeto, anunciada por Jorginho Mello em SC
- REDAÇÃO

- há 4 horas
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Às vésperas do início oficial da campanha eleitoral em Santa Catarina, um dos principais embates entre o governador Jorginho Mello (PL) e o pré-candidato ao Governo do Estado João Rodrigues (PSD) ganhou novos capítulos e colocou a anunciada VIAMAR no centro da disputa política.
Apresentada pelo Governo do Estado como a maior obra rodoviária da história catarinense, a VIAMAR pretende criar um novo corredor logístico paralelo à BR-101, reduzindo significativamente o tempo de deslocamento entre Joinville e a Grande Florianópolis e desafogando um dos principais gargalos de infraestrutura do Sul do Brasil.
Na última semana, o Governador Jorginho Mello fez o lançamento da primeira parte da obra, onde anunciou o edital do primeiro lote, correspondente ao trecho de 25,7 quilômetros entre Itajaí e Luiz Alves, com investimento estimado em R$ 2,2 bilhões. Segundo o Executivo estadual, este será o primeiro passo para implantação da rodovia.
A polêmica começou quando João Rodrigues afirmou que desistiria da disputa pelo Governo de SC, caso Jorginho Mello apresentasse o projeto da VIAMAR. Dias depois, durante o Summit Cidades, o governador aproveitou o palco do evento para entregar ao jornalista Upiara Boschi um volume com cerca de duas mil páginas, afirmando que ali estava o projeto da rodovia, além de rebater as críticas do adversário e classificá-lo como "falastrão".
A resposta de Rodrigues veio rapidamente. Durante roteiro em Concórdia, João Rodrigues afirmou que o material apresentado não corresponde ao projeto executivo da obra, documento que detalha a execução da obra, mas sim a um anteprojeto, documento que serve como base para estudos preliminares. Segundo o pré-candidato, o edital lançado pelo governo tem justamente o objetivo de contratar uma empresa para elaborar o projeto básico, o projeto executivo e somente depois permitir a futura licitação das obras, inclusive mostrando o edital publicado no diário oficial do Governo do Estado. João aproveitou a fala para alfinetar Jorginho: tem pouco conhecimento de obras e de gestão pública, por isso estava confundindo as coisas.
Durante o pronunciamento, João esteve acompanhado do ex-governador Esperidião Amin (PP) e do deputado estadual e empresário Antídio Lunelli (MDB), também pré-candidato ao Senado. Ambos reforçaram o argumento de que a VIAMAR ainda não possui os projetos técnicos necessários para o início das obras, sustentando que o governo antecipou politicamente um anúncio que, na prática, ainda se encontra em fase de planejamento.
Especialistas em infraestrutura e obras públicas apontam que licitações realizadas apenas com anteprojetos na sua grande maioria resultam em maior volume de revisões, aditivos contratuais e prazos mais longos de execução, e que esse é o modelo que foi utilizado pelos governos Dilma Rousseff (PT) durante o PAC2.
Outro ponto levantado por João Rodrigues é que o anteprojeto utilizado pelo governo teria origem em estudos desenvolvidos durante a gestão do ex-governador Carlos Moisés (PSL), contestando a narrativa de que o atual governo já possuía um projeto concluído da rodovia.
Apesar da intensa disputa política, há consenso entre diferentes setores sobre a importância estratégica da VIAMAR. A nova ligação é considerada fundamental para reduzir os congestionamentos crônicos da BR-101, corredor responsável pelo escoamento de boa parte da produção catarinense e pelo intenso fluxo turístico do litoral.
O debate também reacendeu discussões sobre a infraestrutura federal em Santa Catarina. As rodovias BR-101, BR-470, BR-282 e demais BRs permanecem sob responsabilidade da União, por meio do DNIT, órgão que, durante diferentes períodos dos últimos anos, foi comandada por dirigentes, como o engenheiro Ronaldo Carioni, indicado pelo atual governador Jorginho Mello (PL), que até 2018 era apoiador dos governos petistas.







