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O assassinato do Cão Orelha mobiliza Florianópolis e todo o Brasil

  • Foto do escritor: REDAÇÃO
    REDAÇÃO
  • 26 de jan.
  • 3 min de leitura

O caso que chocou não só a comunidade da Praia Brava, no norte da Ilha de Santa Catarina, mas também ativistas, autoridades e organizações em defesa dos direitos dos animais em todo o Brasil, entrou em uma fase decisiva de investigação. O Cão Orelha, mascote comunitário conhecido e querido por moradores e frequentadores da Praia Brava, foi vítima de uma agressão brutal que resultou em sua morte no início de janeiro. Desde então, o episódio ganhou repercussão nacional, protestos nas ruas, forte mobilização nas redes sociais e acompanhamento rigoroso das autoridades competentes.


Orelha, um cão de aproximadamente dez anos, vivia na região há cerca de uma década e era alimentado e cuidado espontaneamente por moradores, comerciantes e visitantes. No dia 16 de janeiro, o animal foi encontrado gravemente ferido em uma área próxima à praia após sofrer múltiplas agressões, segundo a investigação policial. Levado à clínica veterinária, ele chegou em estado crítico e, devido à gravidade das lesões, precisou ser submetido à eutanásia.


Desde então, o caso está sob investigação da Polícia Civil de Santa Catarina, por meio da Delegacia de Proteção Animal, com apoio da Delegacia de Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei (DEACLE). A corporação identificou quatro adolescentes como principais suspeitos de envolvimento nas agressões que levaram à morte de Orelha.


Operação policial e buscas por provas

Na manhã desta segunda-feira (26), a Polícia Civil deflagrou uma operação para cumprir mandados de busca e apreensão em residências ligadas aos investigados. Foram expedidos três mandados relacionados ao crime de maus-tratos e, segundo os investigadores, também estão sendo apurados indícios de coação de testemunhas e interferência na coleta de provas. Celulares e outros dispositivos eletrônicos foram apreendidos para perícia.


Em uma das casas, conforme noticiado, foi encontrada ainda uma porção de substância relacionada a droga, reforçando a complexidade da investigação, embora nenhum dos adolescentes tenha sido preso até o momento.


Repercussão pública, protestos e mobilização nacional

A morte de Orelha provocou comoção imediata na comunidade local. Moradores organizaram manifestações pedindo justiça, com atos nas imediações da Praia Brava reunindo dezenas de pessoas com cartazes e camisetas em homenagem ao animal, sob a hashtag #JustiçaPorOrelha nas redes sociais.


Organizações Não-Governamentais (ONGs) de proteção animal por todo o país também passaram a divulgar o caso, buscando conscientização sobre a crueldade e pressionando por medidas legais rígidas contra os responsáveis — inclusive nos níveis federal e estadual. Representantes políticos e advogados ligados à causa animal reforçaram o apelo por transparência nas investigações e punição exemplar, de acordo com a lei.


Posicionamento do governo e promotores

O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, se manifestou publicamente sobre o caso, classificando as provas reunidas pelas autoridades como “de embrulhar o estômago” e assegurando que “a justiça será feita”. Ele disse que foi informado oficialmente da ocorrência no dia 16 de janeiro e determinou a apuração imediata dos fatos pelas forças policiais competentes.


O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) acompanha a investigação por meio da 10ª Promotoria de Justiça da Capital — responsável pela área da Infância e Juventude — e da 32ª Promotoria da área do Meio Ambiente. Os promotores afirmaram que o caso é tratado com rigor, dada a complexidade e a gravidade das circunstâncias.


Desdobramentos e perspectivas

Atualmente, a apuração segue com oitivas de testemunhas, análise de vídeos e coleta de evidências que possam esclarecer integralmente o papel de cada um dos envolvidos. As autoridades afirmam que, concluída a fase de investigação, os autos serão encaminhados à Justiça, incluindo a possível responsabilização dos adolescentes e, se confirmadas, das pessoas que tentaram influenciar ou coagir testemunhas. A legislação brasileira prevê penas agravadas para maus-tratos que resultam na morte de animais, incluindo reclusão, multa e proibição de guarda em casos de cães e gatos, conforme prevê o artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais.


Enquanto isso, a comunidade e os defensores dos direitos dos animais aguardam um desfecho que represente não apenas justiça para Orelha, mas também um recado claro de que violência contra seres vivos, independentemente de sua espécie, não será tolerada.



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